Blog da Kritz

05/08/2004 23:03
GOSTARIA DE REMETER OS LEITORES DO BLOG DA KRITZ AO SEU NOVO ENDEREÇO: http://reis.christiane.blog.uol.com.br
http://reis.christiane.fotoblog.uol.com.br (para quem curte fotografia)
AMBOS ESTÃO EM CONSTRUÇÃO
enviada por Kritz



23/07/2004 16:15
MINHAS LEITURAS MAIS RECENTES:

TRECHOS DO LIVRO “UM BEIJO DE COLOMBINA” (ADRIANA LISBOA)

“...como é possível que eu tenha descoberto a beleza das pequenas coisas, e ao mesmo tempo compreendido que certas existências precisam galgar o grandioso, precisam de superlativos? Se a vida imita a arte, que imita a vida, que imita a arte, Teresa era um personagem de Teresa.”

“Mas eu tenho esse defeito, essa recorrente incapacidade de ler nas entrelinhas. É um hábito meu acreditar naquilo que me dizem. Hábito pouco saudável, às vezes até mesmo perigoso. Mas não sou lá muito hábil para suposições.”

“....achei que havia alguma coisa estranha nela, talvez nos olhos, os olhos pareciam mais velhos do que o resto, como se tivessem nascido primeiro e ficado anos esperando que o resto do corpo nascesse.”

TRECHOS DO LIVRO “CORPO PRESENTE” (JOÃO PAULO CUENCA)


“Cabelos longos, negros, traços fortes. Finco os pés na terra. Isso é agora. Carmem entrou na categoria de acontecimentos eternos. Define coisas em mim. Sempre se repete, cada vez que se lembra, cada vez mais doce, talvez um pouco menos intensa, mas nunca distante. É uma linha de tempo paralela ao real, ao cotidiano.”

“Quando as luzes se apagam, não consigo deixar de manter o pensamento no que continua, a existência alheia que segue zumbindo como uma enorme mosca.”



“A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER” (MILAN KUNDERA)

“Nunca se poderá determinar com certeza em que medida nosso relacionamento com o outro é o resultado dos nossos sentimentos, de nosso amor ou não-amor, de nossa benevolência ou de nosso ódio, e em que medida ele é determinado de antemão pelas relações de força entre os indivíduos.”


Li, do mesmo autor “A Ignorância” que também é nota 10!


Depois de ler os livros mencionados acima - o primeiro indicado para o Prêmio Jabuti – li “As Brasas” (Sándor Márai) e fiquei realmente apaixonada, pensando, ruminando as palavras, ditas por um escritor húngaro, em cenas que se passavam num castelo no meio da floresta, e em Viena. É uma pena não poder transcrever agora alguns dos seus mais belos parágrafos, pois a obra não se encontra comigo. Ficará para uma próxima ocasião.

Beijos da Kritz
enviada por Kritz



30/05/2004 21:21
Retirei este texto do blog da minha amiga Sabine (Adorei!):


Afeto
"Só em momentos de afeto avassalador, emergem à superfície fragmentos ou imagens. O sintoma inevitável que acompanha tal fenômeno é o da identificação momentânea do eu com essas manifestações, que são renegadas logo depois. É fabuloso o que se pode dizer movido pelo afeto. Mas todos sabem com que facilidade essas coisas são esquecidas e renegadas... o hábito de interromper o fluxo do inconsciente, corrigi-lo ou criticá-lo reforçou-se pela tradição e pelo medo que se tem de admitir diante dos outros ou de si mesmo a angústia mobilizada pelas verdades insidiosas, compreensões arriscadas e constatações desagradáveis: o receio, enfim, de tudo o que faz o homem fugir de si mesmo como de um flagelo..."

O Eu e o inconsciente, C.G. Jung, ed. Vozes, página 78.


enviada por Kritz



30/05/2004 20:58
Outra resenha de um livro que toca o coração da gente:


MENINA NINA – DUAS RAZÕES PARA NÃO CHORAR (Ziraldo, editora Melhoramentos, São Paulo, 2002 – 37 páginas)



Ziraldo, escritor e ilustrador, querido entre os leitores infantis, principalmente, após o lançamento de “O Menino Maluquinho”, “Flicts”, “Vovó Delícia” e muitos outros do gênero, presenteou seus leitores com “Menina Nina – Duas razões para não chorar”, mudando, porém, a linha das suas publicações anteriores, já que este é um livro que mexe profundamente com a emoção das pessoas, trazendo à mente lembranças e possibilidades, ao tratar de um tema bastante delicado: a perda de quem se ama.

A capa traz uma bela ilustração, na qual a expressão do rosto da menina é um prenúncio das imagens e do texto que serão apresentados. As páginas que iniciam a história dão a noção do que o bebê estaria vendo do seu berço, ou seja a imensa felicidade daquela que se transformou em avó. No decorrer da narrativa, as ilustrações demonstram com clareza e de forma poética a passagem do tempo, tanto de forma objetiva quanto subjetiva.

O título não revela com clareza o conteúdo da obra. Traz o sentimento a ser abordado, mas não espelha inteiramente os protagonistas, ou seja, não contém o liame condutor que é a avó.

Enfim, Menina Nina cresce e encanta Vovó Vivi com suas frases e desenhos, transformando o quarto de hotel, durante uma das viagens da avó, em um local cheio de presentes para a neta e ansiedade pela volta à casa e à vida das duas, tão cheia de caixas decoradas, fotos e segredos.

O texto demonstra uma grande identificação entre ambas, com a transmissão de lições, de forma sublime: “Viver é inventar a vida”. A história vem alegre, até que surge a primeira ilustração onde aparece a lua no céu e, em seguida, a partida da Vovó Vivi. Menina Nina abre os braços, diante da aflição de quem não sabe o que fazer, diante do que não estava combinado. Afinal, para onde teriam sido levados os seus segredos? Ela cruza os braços e chora, em atitude de tristeza e desânimo.

Nesse momento, o autor é ambíguo, demonstrando uma condenação implícita ao ato de chorar, pedindo a Nina para não fazê-lo e, ao mesmo tempo, aconselhando a menina a derramar suas lágrimas e afogar a dor que é incompreendida. Em seguida, oferece, então, duas razões para que Nina não se entregue ao sofrimento, contradizendo-se apenas no uso das palavras, pois, afinal, é necessário haver tempo e espaço para que os sentimentos possam ser extravasados.

Ziraldo diz, por fim, que a avó pode estar sonhando ou observando a neta de algum lugar no céu. Nessa ilustração aparece na mesa de cabeceira da menina o livro “Flicts”, como auto-referência ou menção à cor da lua e ao local onde Vovó Vivi poderia estar.

A obra é finalizada com a incomum “história da história”, na qual o autor fala das dificuldades peculiares à elaboração deste livro, ou seja, da questão emocional que adiou por um ano o término do seu trabalho. Com isso, mais uma vez, Ziraldo surpreende o leitor, já comovido e tocado pelo relacionamento entre Menina Nina e Vovó Vivi.

enviada por Kritz



30/05/2004 20:55
Para vocês, mais que uma resenha literária, uma dica da Kritz:

“CACHTÁNCA ARTISTA POR ACASO” - TCHEKHOV; TRADUÇÃO DE TATIANA BELINKY; ILUSTRAÇÕES: RAQUEL LOURENÇO – SÃO PAULO: ATUAL , 1998. - (CONTE OUTRA VEZ). 51 PÁGINAS.


Anton Tchekhov, um dos mais famosos novelistas e dramaturgos russos, médico de profissão, nasceu em 1860 e começou sua carreira como escritor em 1880.Apesar da sua forma melancólica e pessimista de ver o mundo, aproveitou ao máximo todas as experiências humanas e sociais em suas obras de sedutora fluência verbal, sem que as mesmas deixassem de conter também um conteúdo lírico dos mais densos.

As características do autor podem ser observadas em Cachtánca Artista por Acaso, narrativa que tem como tema central uma cadelinha vira-lata e as sensações por ela experimentadas.O desespero, a saudade, o susto, o fascínio, o pressentimento, a alegria e o entusiasmo são abordados pelo texto de forma sutil, colocando o leitor diante dos seus próprios sentimentos e de situações que são normalmente vivenciadas pelos seres humanos.

A trama se desenvolve a partir do momento em que descreve a relação entre um marceneiro e sua cadela, tomando outro rumo quando esta se perde, apavora-se e é encontrada por um novo dono, passando a morar junto de animais diferentes e num ambiente totalmente diverso daquele com o qual estava habituada. Cachtánca aprende a fazer malabarismos e subitamente, por força das circunstâncias, é levada a se apresentar em um circo, onde reencontra seus antigos donos e para eles retorna, sem lembranças claras e sem a exata noção do que está fazendo, afinal, trata-se de um animal, apesar de apresentar traços da personalidade humana, durante todo o desenovelar da história.

A ilustração é singela, em preto em branco. Atinge o objetivo de complementar as palavras do autor, ressaltando o sentido das mesmas, sem a intenção de suplantar o texto.


enviada por Kritz



30/05/2004 20:48
Recebi esta mensagem de um amigo. Adorei! Ele atribuía a autoria da mesma ao Drummond, mas sem certeza. Espero que gostem!

CONSELHOS DE UM VELHO APAIXONADO

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta:
pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino:O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e,em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa:
você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo:
é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam amor passar, sem deixa-lo acontecer
verdadeiramente. É o livre-arbítrio.

Por isso, preste atenção nos sinais.

Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O AMOR !!!




enviada por Kritz



30/05/2004 20:45
Oi pessoal, há muito tempo não escrevo... Vou tentar postar bastante coisa hoje. Beijos!
Kritz


AVISO DA LUA QUE MENSTRUA
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com essa gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
metade legível metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado, moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque eu sou muito sua amiga
é que eu tô te falando "na vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
A Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela
Cuidado moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na contradição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar, latir
então esquece de saber morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que é que você tem pra falar da vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é a sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e elite
pensando que está agredindo
que está falando palavrão imundo.
Tá não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

Elisa Lucinda



enviada por Kritz



22/03/2004 22:02

Dicas de CDs:
Celso Fonseca (novo disco, lançado neste mês,com uma deliciosa batida de bossa nova)

Fagner e Zeca Baleiro também é um cd nota 10!

Preciso dar atenção a um bebê de 2 anos que está subindo no meu colo e dizendo: "mãe,qué você!" e a outra menininha, aprendendo a escrever.

Beijos atolados!!!

Kritz
enviada por Kritz



22/03/2004 21:50
MATERNIDADE

Hoje acordei surpresa comigo mesma, com a pessoa na qual me tornei. Estou passando por uma metamorfose, há cerca de cinco anos. A maternidade é a maior responsável por tudo isso. Logo eu que nunca tive muito jeito com crianças, de repente, “virei” mãe, professora, contadora de histórias e aprendi a cuidar das minhas duas filhas de maneira intuitiva, além de fazer uso do que havia lido a respeito da importância da participação dos pais na infância, na criação e formação de adultos emocionalmente saudáveis.

Talvez, por ter lido muito sobre psicologia, até para tentar ajudar amigos, bem antes de sequer sonhar em ser mãe, a noção de responsabilidade sobre os corações e mentes dos meus rebentos tenha vindo de maneira muito forte para mim, desde o nascimento da minha primeira filha. Pensei: e agora, o que faço com toda a teoria? Quando devo dizer não? Devo ajudar no processo de aprendizado em casa, ou estarei atrapalhando o trabalho da escola? Fico com elas até mais tarde na cama, para que peguem no sono na minha companhia, ou fecho a porta para que aprendam a dormir sozinhas? Equilíbrio! Meu Deus, como chegar ao meio-termo estando completamente apaixonada por esses dois pingos-de-gente?

Mamãe chegou lá em casa, ontem à noite, e perguntou - ao ver-me montando um painel, com calendário, números e letras: “Você virou professora agora?” (porque eu tenho a mania de, amadoristicamente, ter várias “profissões”: fotógrafa, violonista, cantora, pintora, cozinheira, psicóloga, taróloga, etc., mudando de fase) Respondi: virei sim, e mostrei a ela todo o aparato que havia adquirido (brinquedos pedagógicos, livros, CDs, fitas) para brincar com as minhas duas “cobaias”. Já sei até o que significa psicomotricidade e “movimentos finos”, porque eu saio perguntando tudo para os profissionais das mais diferentes áreas.
Restam-me as dúvidas: será que estou agindo da maneira certa? Qual será o resultado de tudo isso? Vou conseguir levar tantas atividades adiante (violão, inglês, canto, trabalho, estudo, mãe e mulher)? E a Especialização em Literatura Infanto-Juvenil, será que vai dar certo, ou vou me estressar, ficar cansada demais? Decidi, mais uma vez, experimentar, tentar, até porque, todas essas minhas facetas têm me proporcionado felicidade e prazer intensos.

Percebo-me repetindo atitudes paternas e maternas (nunca pensei que pudesse ser uma mãe tão boa quanto a minha foi e continua sendo) e me questiono se minhas filhas, amanhã também não me repetirão... Nossa, que responsabilidade! Olhei para trás um pouquinho e vi que elas já me repetem, em alguns momentos, nos mesmos desejos e necessidades... Putz! É bom e é difícil demais!

Acho que meus pais foram intuitivos, não tiveram tantos questionamentos, mas a vida era, naquela época, bem menos complicada e eles tinham mais tempo para cuidar dos filhos, menos compromissos e quantidade de informações para serem pensadas, analisadas. Os perigos eram menores... É, deve ter sido um pouco mais fácil.

Enfim, hoje acordei chorando, emocionda comigo mesma e com os passos que vou dando, diariamente, encarando surpresas e desafios (pirraças e o gênio forte da mais velha – 5 anos; o “eu sozinha” da mais nova – 2 anos), fisicamente cansada, mas interiormente plena.


Rio, 18/03/04 Christiane




enviada por Kritz



04/03/2004 20:11




SAUDADE


Trancar o dedo numa porta dói.


Bater com o queixo no chão dói.


Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a
cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no
rim.


Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade
de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se
encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca
existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não
perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade
de quem se ama.


Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da
ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se
verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a
faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia
sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.


Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,ao outro sobra uma
saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não
saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se
ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela
ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o
dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa
daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido as aulas de
inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário
Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua
preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua
sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele
jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua
detestando o MC Donald's; se ele continua amando; se ela continua a chorar
até nas comédias. Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os
dias q ue ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe
cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não
querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se
ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso.... É
não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é
nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que
senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo
agora depois que acabou de ler...


(Miguel Falabella)









enviada por Kritz



04/03/2004 20:10

E S C R E V E R

“Na criação dos personagens e nos enredos existe um elemento que é inconsciente. O autor sabe o que está fazendo, mas faz muito mais do que imagina estar fazendo, ao mesmo tempo em que diz alguma coisa sobre si mesmo. Você tem processos análogos, seja na fabricação de um sonho, seja na fabricação de uma paranóia, seja na de um romance, porque tudo é fruto da imaginação.” (Renato Mezan – psicanalista. Revista CULT nº 77)

“Por que escrevo? Ah, que difícil responder a essa pergunta. Tentarei dar alguma resposta e sei que já estou entrando assim numa zona imprecisa. Vaga. O escritor escreve porque tenta recompor, quem sabe? Um mundo perdido. Os amores perdidos. Não será uma tentativa de recuperar a família que ficou lá longe, assim, despedaçada? Ou não será o próprio eu despedaçado que ele está querendo resgatar? E se nessas personagens que procura desembrulhar ele não estiver tentando, na realidade, desembrulhar a si mesmo?
(...) eu jogo com as palavras, aposto nas palavras, um jogo perigoso? Não sei, sei que é fascinante.
(...) ‘Estou em paz com a minha guerra’, digo citando Camões.
(...) Há ainda aquelas ficções que nasceram em algum sonho, abismos desse inconsciente que de repente escancara as portas, saiam todos! A loucura, o vício, a paixão, ah, eu teria que ter o fôlego de sete vidas, assim como os gatos, para escrever sobre esse mar oculto.” (Lygia Fagundes Telles – Durante Aquele Estranho Chá – Rocco, 2002)

enviada por Kritz



04/03/2004 20:08
ÍTACA



Se partires um dia rumo a Ítaca
faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.

Se altivo for seu pensamento
se sutil emoção teu espírito tocar
Nem Lestrigões nem Ciclopes te encontrarão

Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões, nem Ciclopes hás de ver,
se a tua alma não os puser diante de ti.
Nem o bravo Poseidon hás de ver.
se tu mesmo não o levares dentro da alma.

Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez em um porto...

Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
rico de quanto ganhares no caminho.

sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem Ítaca te deu.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência...
Mais do que isso, não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência...
e agora sabes o que significam Ítacas.

Konstantinos Kaváfis


Lestrigões – povo de antropógagos
Ciclopes – gigantes monstruosos com apenas um olho no meio da testa
Poseidon – deus grego dos mares

enviada por Kritz



06/02/2004 22:13

Amigos, segue uma parte da minha carta de apresentação à Banca de Examinadores do curso de Especialização em Literatura Infanto-Juvenil da UFF, para o qual fui aprovadada. Achei legal publicar no Blog, afinal, tem um pouco de mim.

Beijos!

Kritz


CARTA DE APRESENTAÇÃO


Com a finalidade de apresentar os motivos que me levaram a escolher a Pós-Graduação em Literatura Infanto-Juvenil - quando pouco há em meu currículo relativo à área de letras ou outra que mais se aproximasse dos objetivos do curso - passo a justificar meu interesse, já que a pretendida Especialização e o Direito, no qual sou graduada, pouco têm em comum. Afinal, o que levaria uma advogada a querer ser uma “contadora de histórias” bem preparada?

Tudo começou na infância, quando os livros passaram a ser minha grande paixão. Nada poderia superar o meu amor por eles. A música chegou bem perto e arte de maneira geral, mas nada que se comparasse à literatura. Chegou, então, a fase do vestibular e de escolher uma profissão que pudesse ao mesmo tempo me realizar, e, principalmente, financiar a compra dos inúmeros exemplares de uma lista que até hoje possuo, apenas substituindo os títulos e nomes dos autores. Assim, aos 17 (dezessete) anos já cursava o primeiro ano da faculdade, estudando direito romano e lendo Drummond.

Em seguida, como diria a Emília do Sítio do Picapau Amarelo, pisquei, especializei-me em Direito Privado, pisquei, casei, pisquei, passei em um concurso público, pisquei, tive duas filhas, pisquei novamente e me vi completamente modificada pela maternidade (pretendo piscar muito antes das dores do reumatismo...).

Com as crianças (5 e 2 anos, atualmente), nasceu também o interesse pelos livros infantis, autores e ilustradores. Percebi que havia um mundo, diante dos meus olhos, a ser descoberto, desbravado. Minha filha mais velha é louca por livrinhos, desde que tomou conhecimento da existência deles. É meu principal incentivo e motivo de paixão pelo universo infantil. Nós criamos (escrevemos e desenhamos) livrinhos juntas e compartilhamos opiniões. Isso aumentou seu nível de maturidade e o meu interesse por toda e qualquer criança.

Descobri que através do ato de contar histórias eu poderia entrar no mundo das pessoas, aproximar-me delas, ainda que não houvesse um laço afetivo. Foram experiências inusitadas, não buscadas, mas vindas até mim, com crianças rebeldes e carentes que ficavam amáveis, dóceis, depois de alguns contos e algumas risadas. Percebi, ainda, que o mesmo pode acontecer com os adultos... Resolvi me aprofundar, pois faz parte da minha personalidade não gostar da superfície.

Tenho um blog no qual escrevo minhas opiniões sobre determinados livros infantis, colocando, ainda, as reações das crianças diante daquela mesma obra. Falo, também, a respeito de outros assuntos, como música, poesia, ópera, vinhos, etc.

Colaboro com um site Infanto-Juvenil, trazendo, mais uma vez, a literatura para o meu dia-a-dia (como, aliás, nunca deixei de fazer). Enfim, O tempo apenas modificou as maneiras de aplicar tal arte à minha existência, tornando-a mais lúdica e equilibrada.

Os atos de escrever, ler e contar histórias fazem parte da tarefa de arrumar, mexer no texto como quem “arruma” vidas. É isso o que pretendo: trabalhar com as emoções, aplicando tais conhecimentos, no que for possível, à Justiça e a um futuro trabalho a ser descoberto durante o curso.





enviada por Kritz



03/02/2004 01:05
A vida é dinâmica, montanha-russa pura, e a gente vive nesse sobe e desce o tempo todo. Às vezes é difícil lidar com os altos e baixos.Então, é chegado o momento de pegarmos os limões que nos são oferecidos e transformá-los em uma deliciosa limonada. Como? Descobrindo novos caminhos, encontrando incertos rumos e arriscando tudo ou quase tudo pela tão sonhada realização, por uma almejada felicidade, aquela que se modifica a cada dia, alterando os nossos objetivos, que substituem os já conquistados.
Vou tentar mudar de rumo, girar o leme e tornar minha vida ainda mais lúdica,com outras atividades prazerosas... Mais prazer que dever, na medida do possível.São apenas planos...Quando começarem a se concretizar, conto para vocês.

"O que alguém é e pensa aparece forçosamente no que esse alguém escreve, apesar de si mesmo. A única maneira de mostrar traços mais positivos numa obra não é se encher de boas intenções: é ser uma pessoa melhor" (Albert Camus)


enviada por Kritz



22/01/2004 10:28
Oi, pessoal, farei uma pequena viagem hoje e retornarei na próxima semana.
Assisti ontem (finalmente!!!)Invasões Bárbaras. Saí do cinema sob o impacto do excelente filme e após ter derramado algumas lágrimas...
Hoje, irei com a minha filha mais velha assistir Irmão Urso. Dizem que é uma gracinha.
Até mais! Beijos!
Kritz
enviada por Kritz






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